Vantagens e desvantagens de morar fora

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Quando eu era criança, sempre me imaginava morando em um lugar diferente. Ou pelo menos conhecendo vários lugares diferentes do mundo. Queria conhecer o mundo todo, mas mais especialmente a Europa. Queria conhecer castelos, caminhar em montanhas, viajar de trem e conhecer pessoas de culturas diferentes. E essa vontade foi crescendo comigo, mas parecia um pouco impossível. Estudar fora e viajar pela Europa não é barato e eu, como estudante de física, não tinha dinheiro... então esse sonho parecia tão distante que eu nunca imaginei que conseguiria realizá-lo aos 20 anos. 

Mas quando descobri o Ciência sem Fronteiras eu não tive dúvida, eu tinha que me inscrever e conseguir a bolsa. Eu ia poder realizar meu maior sonho que era estudar em um país diferente e conhecer vários lugares da Europa. O programa pede principalmente um índice de rendimento acadêmico bom e a prova de inglês do TOEFL. Como eu tinha o índice que eles pediam, eu só precisava estudar o inglês para passar na prova (que não é fácil). Estudei por uns 2 meses todos os dias e tirei uma nota média na prova, porém 2 pontos a menos do que eu gostaria de tirar, já que eu iria me inscrever para o Reino Unido. 

Eu já amava o Reino Unido antes mesmo de conhecê-lo e era o lugar que eu mais gostaria de ir, então fiquei muito triste quando não consegui a nota que eles pediam. Tive que escolher logo outro país para me inscrever, então não tive muito tempo para pesquisar todos os países que pediam inglês. 

Acabei escolhendo a Noruega (meio na louca, admito, já que tudo o que eu sabia sobre esse país era que tinha lindos fjords, dava para ver a aurora boreal e o IDH era o maior do mundo). Como aceitava o inglês (as aulas seriam em inglês e a maioria das pessoas da Noruega fala inglês) e a qualidade de vida é boa, decidi me inscrever. Fui aceita e agora já faz 10 meses que estou morando na Noruega, então resolvi escrever um pouco da minha experiência morando fora. Nem tudo é um “mar de rosas”, então vou dividir entre as vantagens e desvantagens.


VANTAGENS

-Você aprende a se virar sozinho.
Logo 1 segundo depois de se despedir da tua família, é você quem deve resolver os teus problemas. Você não pode mais ligar pros teus pais se algo acontece ou se alguma dificuldade aparece. Eu peguei meu voo junto com um amigo que também estava indo fazer intercâmbio na Noruega, então a gente se ajudou nesse começo (obrigada, Toso!!), mas eu digo isso num geral. Mesmo indo com um amigo a gente precisa resolver as coisas nós mesmos. Procurar onde imprimia o papel do embarque em cada conexão, conseguir carregar as mil malas, procurar onde pegava o trem no aeroporto (e ficar subindo e descendo escada com as malas… nossa, essa foi a pior dificuldade do começo), achar a moradia (e chegar lá e a recepção estar fechada e não ter chave para entrar no quarto), tentar usar o telefone público e não conseguir…. foram só algumas das coisas que tivemos que nos virar só no primeiro dia. E, bom, durante todo esse tempo morando fora muitas outras coisas eu tive que me virar sozinha (algumas muito mais difíceis), mas se eu fosse escrever tudo iria ficar muito longo.

-Você pode treinar outra língua.
Esse é sem dúvida um dos melhores motivos de morar fora. Durante toda nossa vida ouvimos o inglês em seriados, filmes e músicas. E aí fazemos cursinho e conversamos em inglês com os alunos da sala e o professor. Mas é só morando fora e realmente precisando usar o idioma que aprendemos de verdade. Eu tinha um ouvido bom pro inglês, já que sempre assisti muito seriado sem legenda, mas tinha dificuldade em falar. Lembro da primeira vez que precisei conversar em inglês, foi numa loja do aeroporto de Amsterdam, onde eu fazia conexão para pegar meu voo para Oslo. Fiquei tão feliz que consegui me comunicar normalmente hahaha deu um alívio muito grande. Aqui eu conheci pessoas de muitos países diferentes, então tive milhões de oportunidades de treinar o inglês. E quanto mais o tempo passa, mais seguro você fica em falar uma língua que não é a sua. O maior problema do começo é ter coragem de falar em inglês, você fica com medo de falar algo errado ou de não conseguir explicar exatamente o que quer, mas com tempo isso passa e você fica mais seguro.

-Você conhece pessoas de culturas diferentes.
Nesse tempo morando fora eu conheci muitas pessoas, tanto brasileiros quanto estrangeiros, e cada uma delas tinha um cultura diferente da minha. Então você acaba conhecendo essas culturas e é muito divertido saber as formas diferentes que as pessoas vivem e isso também faz com que você abra mais a sua mente.

-Você muda seu jeito de olhar o mundo.
Quando você mora sua vida inteira num só lugar, suas ideias de mundo acabam se resumindo ao estilo de vida daquele lugar. Por isso que morar em lugares diferentes (e viajar pra vários outros lugares) faz com que sua mente amplie e o mundo pareça muito maior.

-Você faz amigos que são como uma família.
Quando você mora com ou perto dos seus pais, tudo é mais fácil. Se você tem um problema eles te ajudam a resolver. Quando você se sente sozinho eles estão lá para te fazer companhia. Agora quando você mora longe deles você precisa contar com seus amigos. Essa é uma questão muito difícil de explicar, mas quem já passou por isso vai entender. As amizades que você faz quando mora fora são muito mais fortes, porque todos estão passando pelas mesmas experiências e dificuldades. Então todos acabam se juntando como se fossem mesmo uma família. E isso foi uma das melhores coisas do meu intercâmbio.

DESVANTAGENS

-Você sente saudade de casa, da sua família e dos seus amigos.
Antes de vir pra cá eu nunca tinha ficado longe de casa mais do que 1 semana. Sempre morei com meus pais e meus irmãos e nós somos muito unidos, então eu sabia que ia sentir muita saudade quando fosse morar longe. Mas a saudade que senti foi maior do que imaginava, porque não tem como imaginar antes de você realmente passar por isso. Muitas vezes doeu tanto que nem gosto de lembrar. Senti falta de passar os dias normais com eles, mas mais ainda quando passei o natal e ano novo longe, dos almoços de família aos domingos, de ter alguém pra passar o tempo e conversar quando chegasse em casa e em várias outras vezes.

-Você sente saudade da comida do Brasil.
Olha gente, existe muita coisa boa pra comer em vários países, mas não adianta… a melhor comida é a do Brasil. A diversidade da culinária brasileira é incrível e até das coisas simples que comia lá eu sinto falta. Já avisei a minha mãe, quando eu voltar vou comer tudo o que eu quiser por 1 semana hahaha.

-Reconstruir sua vida não é fácil
Tudo começa a mudar logo quando você pega seu voo para outro país e a vida que você conhecia não existe mais. A segurança que você tinha em se virar e as pessoas que você tinha ao seu lado ficaram para trás. Você precisa começar tudo do zero. Você não sabe mais onde compra nada, não sabe onde ficam as lojas que precisa ir ou qualquer outro lugar, você precisa fazer amigos novamente… e isso às vezes assusta.

-Morar num país no qual você não fala a língua é difícil.
Tá, praticamente todo mundo na Noruega fala inglês (até mendigo, juro!), mas não adianta, sempre terá várias dificuldades porque não falo norueguês. Esse ano fiz aula de dança e as aulas eram em norueguês, então perdia várias explicações. Quando ia na biblioteca pegar livros, apesar de terem vários livros em inglês, a maioria era em norueguês.. e sempre tinha algum que eu queria ler que só tinha em norueguês. Ir no mercado é uma aventura e no começo eu nunca sabia direito o que tava comprando… “isso é presunto, peito de peru ou porco? não sei”. Os nomes principais eu acabei aprendendo em norueguês com o tempo, mas sempre tem aquela dificuldade quando quero saber quais ingredientes tem num produto ou como prepara alguma coisa. Se acontece algo na linha do metrô, o aviso que eles dão é em norueguês… aí fico com aquela cara de Jeg snakker ikke norsk, tá?

Bom, esses foram só alguns pontos que lembrei, existem muito mais vantagens e desvantagens que essas, mas não tem como colocar todas as experiências num só post. Espero que isso ajude alguém que está querendo decidir se vai ou não morar fora ou pelo menos sirva de curiosidade.
Morar fora é uma experiência incrível e todos deveriam passar por isso!



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Morando Fora



"Mentes são como paraquedas, só funcionam quando abertas". Nada melhor para abrir a mente do que experenciar o mundo. Morar fora é, sem dúvidas, uma das experiências mais transformadoras na vida de qualquer um. Pelo menos foi assim comigo. Quando se é jovem isso se intensifica ainda mais, acredito eu. É uma época esquisita em que você se sente velho o suficiente pra começar a pensar nas questões sérias da vida, mas jovem demais, pra pensar nas coisas sérias da vida (:P). É um momento de transição em que você sai do casulo e começa as voar com as próprias asas. É um momento de inseguranças, incertezas a respeito do quem você realmente é, o que você pensa, sua visão de mundo, e que lugar no mundo você quer ocupar. Nada melhor do que uma experiência fora pra dar um empurrãozinho. Não que você vá voltar com todas essas questões respondidas, mas sem dúvidas você vai voltar diferente. Na minha opinião, pra melhor.


A minha experiência foi de um ano de intercâmbio em Oslo, Noruega. É. Terceiro lugar muito bem merecido no ranking das cidades mais caras do mundo em 2014. E não, eu não sou filha do Eike Batista (obs: isso fazia sentido há alguns meses atrás). Eu cheguei até lá através do programa Ciência sem Fronteiras (#BeijoDilma). 


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Pagando uma conta na Noruega

Foi inclusive pela Universidade de Oslo que o autor da frase acima, James Dewar, físico e químico, recebeu seu título de Doutor, em 1911. História a parte, passar 1 ano na Noruega estava anos luz da minha capacidade monetária e fazer um intercâmbio sempre foi um sonho distante pra mim, por isso eu não pensei duas vezes assim a oportunidade surgiu. Um ano longe da  sua família e amigos? sim. Um ano de atraso da sua graduação que você sonha desesperadamente com o dia que vai acabar? sim. Mas nada disso chega perto do retorno de uma experiência como essa. 

Festival Medieval

A experiência de morar fora faz você se chocar com diferentes culturas. Não exatamente um choque, no meu caso, afinal de contas eu não me mudei pro Zimbábue ou pro Paquistão, mas ainda assim você consegue observar particularidades de cada cultura e passa a respeitá-las, o que torna você, sem dúvidas, uma pessoa mais tolerante. 

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No começo é um pouco difícil porque você ainda interpreta as atitudes dos outros de acordo com a sua própria cultura, como se essa fosse a lei universal de comportamento e bom senso. Logo que eu pisei em Oslo, com 2 malas grandes, uma mochila pesando 10 quilos e mais uma sacola de mão (sim, porque pesquisando um pouco sobre a Noruega, é claro que eu pensava que ia viver a base de pão e água e não ia ter dinheiro pra comprar nada, logo eu teria que levar tudo do Brasil), tendo que subir pra cima e pra baixo com tudo isso, tendo que parar de tempos em tempos pra descansar, ninguém, nem uma alma sequer, se ofereceu pra me ajudar. 

Eu no aeroporto

É claro que a minha primeira impressão não foi das melhores. De fato, as pessoas tendem a ser muito mais atenciosas no Brasil, às vezes tão atenciosas que alguém pode aparecer pra carregar suas malas e nunca mais voltar, só pra você nunca mais precisar carregar aquele peso. Adoro a hospitalidade brasileira. Enfim, com o tempo fui percebendo que  o fato de os noruegueses não estarem prontamente dispostos a ajudar estranhos na rua (eles são muito atenciosos quando você pede uma ajuda, só não espere uma iniciativa deles) não significa uma deficiência no caráter, ou algo do tipo. É apenas um tipo de postura que, dentro da cultura deles não se costuma tomar. A Noruega tem um senso de igualdade que é levado ao extremo. Ninguém tem o direito de se sentir mais capaz, mais inteligente do que outros. Então um ato como o de se oferecer pra carregar as sacolas pesadas de uma velhinha na rua pode ser encarado por ela como se você a enxergasse como não capaz. Não importa como a cultura dos outros possa parecer estranha de início, como o tempo você começa a compreendê-la e enxergar o quanto a sua própria cultura pode parecer 'no sense' pros outros também. 


Outro aspecto de morar fora são os amigos que você ganha. Amigos não, família. Sim, porque o fato de estar longe da sua família e amigos faz com que você esteja muito mais aberta a novas amizades. Quando você encontra outras pessoas na mesma situação que você, é inevitável que esses laços se criem. É engraçado como em um dia aquelas pessoas são completos desconhecidos e em pouco tempo parece que vocês se conhecem a anos. Você cria amigos pra vida toda. Pessoas tão diferentes de você que em outras circunstâncias nunca se tornariam suas amigas, o que seria uma pena, porque você percebe o quanto você aprendeu com elas. Mas ai os meses passam e chega aquela mesma fase dolorosa do início, onde você teve que deixar sua família e amigos, e que agora você tem que se despedir dessa nova família que você ganhou. Pessoas que estavam com você na luta fracassada de ir para a academia, que estavam com você no metrô enquanto vocês falavam mal da pessoa ao lado, só porque ela não pode entender uma palavra (as vezes eles podem), que te ajudavam quando você ficava doente e sua mãe não estava ali pra cuidar de você, que estavam com você nos momentos mais incríveis da sua vida. Essas pessoas vão agora seguir seus próprios rumos, de volta às suas vidas. Mas uma coisa é certa, nada mais será como antes...

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